Blog do curso de Relações Internacionais 2011 da Universidade Federal da Paraíba
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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Líbia pode ter eleição após um cessar-fogo; Paris e Londres enviam tropas

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS: France Press, Reuters em FOLHA.COM  http://folha.com/mu905125


   De acordo com Baroin, serão menos de dez oficiais de ligação.
A decisão chega após uma reunião na manhã desta quarta-feira em Paris, entre Sarkozy e Mustafa Abdel Jalil, chefe dos rebeldes.
   O presidente francês, que foi o primeiro líder ocidental a reconhecer o CNT, se encontrou pela primeira vez com Jalil, ex-ministro da Justiça de Gaddafi.
Nuri Abdala Abdulati, porta-voz dos rebeldes em Misrata, pediu ontem (19) o envio de tropas de assalto internacionais para defender a cidade contra Gaddafi.
Misrata está sitiada há dois meses pelas tropas governistas e é alvo diariamente de franco-atiradores, mísseis e bombas de fragmentação banidas em 108 países.
Ao menos 20 crianças foram mortas durante os combates na cidade, disse na terça-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
"[Após] cinquenta dias de combates em Misrata e o panorama geral do número de crianças mortas está aparecendo --muito pior do que havíamos temido e certamente irá piorar, a menos que haja um cessar-fogo", disse a porta-voz da Unicef, Marixie Mercado.
Abdul Ati Obeidi - Chanceler Líbio

CRÍTICAS


   O chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, disse que os bombardeios aéreos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) fazem com que os rebeldes se recusem a iniciar uma negociação com o regime de Gaddafi.
Ele criticou ainda as últimas medidas anunciadas pelas potências ocidentais, ao afirmar que a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que aprovou a zona de exclusão aérea sobre a Líbia e o uso de medidas para proteger os civis, "nunca incluiu ações para derrubar o regime".O chanceler líbio, Abdul Ati al Obeidi, disse nesta quarta-feira que o país poderia ter eleições --incluindo um referendo sobre o futuro do ditador Muammar Gaddafi-- até seis meses depois de um cessar-fogo com a Otan. Em Paris, o presidente Nicolas Sarkozy anunciou que a França enviará tropas terrestres à Líbia para aconselhar os rebeldes.
"Caso os bombardeios fossem interrompidos, após seis meses poderia haver uma eleição supervisionada pela ONU [Organização das Nações Unidas]", disse o chanceler à emissora BBC.

   Ainda durante a entrevista, Al Obeidi disse que as eleições poderiam incluir referendos sobre qualquer assunto relevante para os líbios, até mesmo o futuro político de Gaddafi.
Os desdobramentos da manhã desta quarta chegam um dia após o Reino Unido também ter anunciado que deve enviar cerca de 20 militares à cidade de Benghazi, reduto dos rebeldes no leste da Líbia.
A medida foi criticada pelo chanceler líbio.
François Baroin, porta-voz do governo francês, disse que, assim como Londres, Paris deve enviar um "pequeno número" de oficiais para servirem de conselheiros e prover treinamento aos rebeldes.

"Será um pequeno número de oficiais de ligação, algumas unidades, junto ao Conselho Nacional de Transição (CNT) para efetuar uma missão com o propósito de organizar a proteção da população civil", afirmou.


   O envio de soldados britânicos ao país também foi criticado ontem (19) pelo vice-chanceler de Gaddafi, Khaled Kayim, que acusou as potências de estarem extrapolando a resolução da ONU --que autoriza o uso da força só para proteção de civis.
O almirante Giampaolo Di Paola, presidente do comitê militar da Otan, admitiu ontem que os bombardeios aéreos não são suficientes para acabar com o arsenal de Gaddafi -embora tenham causado "um dano altamente significativo".

UNIÃO EUROPEIA


  Apesar da resistência em relação a uma invasão em larga escala, a União Europeia propôs ontem o envio de uma força militar de até mil homens para proteger ações humanitárias na cidade.
A ação implicaria em combates diretos contra forças leais ao regime.
   Por isso, o início da operação "Eufor Líbia" (Força Europeia na Líbia) está condicionado à

aprovação das Nações Unidas.
"Se a autorização chegar, rapidamente reuniremos pessoal e equipamentos entre nossos países-membros", disse à Folha Michael Mann, porta-voz da alta representante do Conselho de Relações Internacionais do bloco, Catherine Ashton.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Otan reconhece dificuldade para derrubada militar de Gaddafi


TRÍPOLI (Reuters) - Forças do governo líbio tentaram invadir a cidade sitiada de Misrata nesta sexta-feira, enquanto generais da Otan admitiram que os ataques aéreos da aliança militar não bastam para ajudar os insurgentes a retirar Muammar Gaddafi do poder à força.
Misrata, único bastião rebelde no oeste do país, está sob cerco das forças de Gaddafi há semanas. Na sexta-feira os insurgentes disseram que tropas governamentais avançavam nos distritos do leste e combatiam os rebeldes nas ruas.
'Tentaram avançar e entrar na cidade pelo leste, por uma área chamada Eqseer, que é povoada. Os rebeldes os confrontaram e os embates continuam', disse Hassan al-Misrati, porta-voz dos insurgentes, à Reuters.
O único front ativo da guerra, ao longo da costa do Mediterrâneo em torno das cidades de Brega e Ajdabiyah, no leste, está em um impasse há uma semana, com os dois lados realizando progressos e retiradas atrás de linhas seguras de noite.
O general Carter Ham, chefe do Comando dos EUA na África, disse na quinta-feira que o conflito está se estagnando e que é muito improvável que os rebeldes consigam abrir caminho até Trípoli e depor Gaddafi.
As esperanças de que a cobertura aérea ocidental e os ataques às forças de Gaddafi fariam a balança pender a favor dos rebeldes evaporaram à medida que as tropas do governo posicionaram suas forças mecânicas perto de áreas civis, que a Otan reluta em atacar.
SOLUÇÃO POLÍTICA
A porta-voz da Otan, Oana Lungescu, adotou postura semelhante à de Ham nesta sexta-feira.
'Sempre deixamos claro que não há solução puramente militar para este conflito. Por isso é tão importante encontrar uma solução política, e nisso não há impasse', disse ela. Os rebeldes rejeitaram conversações de paz com Gaddafi.
Lungescu, como outros oficiais da Otan, expressou frustração com a dificuldade de atingir as tropas de Gaddafi evitando baixas civis.
'O fato de vermos tropas de Gaddafi usando carros de passeio torna difícil saber quem é quem. Estão usando escudos humanos e estacionando tanques perto de mesquitas e escolas, então é muito difícil mirar qualquer equipamento militar sem causar baixas civis', declarou ela em uma entrevista em Bruxelas.
A confusão no campo de batalha deserto causou incidentes de 'fogo amigo', o mais recente na quinta-feira, aumentando a revolta dos insurgentes.
Eles afirmam que cinco de seus combatentes morreram quando aviões da Otan bombardearam uma coluna de 20 tanques retirados de um depósito que rumavam para o oeste de Ajdabiyah para reforçar o front em torno de Brega. A Otan admitiu na sexta-feira que sua força aérea provavelmente é responsável pelo incidente.
(Reportagem adicional de Alex Dziadosz em Ajdabiyah, Michael Georgy em Benghazi, Mariam Karouny em Beirute, Hamid Ould Ahmed e Christian Lowe em Argel e Marie-Louise Gumuchian em Túnis, Phil Stewart em Washington, Justina Pawlak em Bruxelas, William Maclean em Londres)